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sábado, 25 de abril de 2009

A Destruição da Humanidade Parece Nunca Sair de Moda...

Não é de hoje que a idéia de um fim hipotético para a humanidade como nós a conhecemos ocupa um lugar de destaque no imaginário popular. A bem da verdade, a idéia de uma hecatombe, seguida de um possível renascimento, se encontra fortemente enraizada na maior parte das religiões ocidentais — como no cristianismo e no zoroastrismo, por exemplo.

Já as incursões de visões apocalípticas na cultura moderna são relativamente recentes, e normalmente acompanham a idéia do que seria uma possível catástrofe de grandes proporções (com o potencial de varrer os seres humanos da face da Terra) em um determinado momento histórico.

Mary Shelley incorporaria o temor latente do século XIX de que uma praga descontrolada extinguisse a maior parte da humanidade no seu “The Last Man” (“O Último Homem”) — embora projetasse esse possível no século XXI —, sendo um eco incontestável dos efeitos devastadores da Peste Negra, que havia assolado uma imensa parte da Europa alguns séculos antes.

Quer dizer, para a época, parecia perfeitamente razoável que, se a humanidade pudesse mesmo ter um fim, esse fim viria nas garras dos ainda imperscrutáveis vírus. Afinal de contas, quem pensaria, com a tecnologia bélica então vigente, uma guerra poderia alcançar uma proporção global?

O míssil balístico intercontinental Titan II: uma relíquia da Gerra FriaÉ claro, isso mudaria com considerável rapidez, com pestes, bactérias e vírus dando lugar ao próximo bicho-papão apocalíptico: as armas nucleares. A ordem então passou a ser: a fissão atômica certamente acabará por devastar a superfície do planeta em uma guerra nuclear de proporções épica — um medo que, convenhamos, persiste até os dias atuais. O extenso período conhecido como Guerra Fria trataria então de colocar o fantasma nuclear definitivamente na já abarrotada lista de temores coletivos.

Até acontecer a queda da União Soviética, incontáveis visões pós-apocalípticas tomavam conta das mais diversas expressões culturais, de livros a filmes, normalmente pintando uma era em que os remanescentes da raça humana lutariam pelos poucos recursos restantes, degenerando na pura barbárie de uma civilização que regressaria ao seu estado mais primitivo — um bom exemplo desse quadro é a insana luta por petróleo do filme Mad Max (1979).

O terror de explosões épicas traria consigo na bagagem o receio do que viria depois. Um inferno radioativo? O alcunhado inverno nuclear? Mutações insondáveis de macacos, sapos ou zumbis?!? Enfim, mais possibilidades de aflição coletiva, mais material precioso para os teóricos apocalípticos com imaginações particularmente criativas.

Apocalipse em pixels
A destruição da humanidade ganha os videogames

Bem, assim como qualquer outra forma de expressão cultural, também os videogames acabaram funcionando como um reflexo dessa espécie de deleite mórbido que a humanidade sente em imaginar o seu próprio fim. Nada mais natural, é claro.

Mesmo as primeiras gerações de videogames — pelo menos aquelas capazes de representar graficamente algo remotamente humano — já traziam exemplos dessa inclinação cultural. O portentoso V8 de Max Rockatansky ganharia então a sua versão pixealizada no jogo Mad Max (1990) para Nintendinho.


Como o aumento da tecnologia disponível nas plataformas, é claro que os potenciais ocasos da humanidade ganharam cores cada vez mais vivas e convincentes, sendo que hoje temos verdadeiras pérolas que chafurdam na destruição e posterior recriação da humanidade, como a série Fallout, o inóspito futuro negro de Gears of War e ainda a dominação zumbi do altamente conceituado Left 4 Dead.

É claro que vários outros títulos também apostaram no nicho altamente lucrativo de imaginar como, afinal, a humanidade se sairia caso fosse jogada diretamente para a bestialidade de uma era pós-apocalíptica — na qual a única regra é a sobrevivência a todo custo. Escassez de alimentos? Terríveis mutações ocasionadas pela radioatividade? Lideres despóticos? Ou quem sabe uma inevitável reforma religiosa?


O holocausto nuclear enfim entrou em cena. Mas você sequer acompanhou o processo, sendo apenas um dos sortudos que nasceram em um dos paraísos terrestres remanescentes da ruína da Humanidade: o abrigo nuclear conhecido como Vault 101, no qual você tem abrigo, comida e uma oportuna catequização em torno da figura do Overseer (o administrador do local).

Fallout 3: a luta pela sobrevivência levada às últimas consequências

Desde o princípio — realmente, já que o jogo começa com o nascimento do(a) protagnista —, o seu personagem será abertamente treinado para ser capaz de sobreviver à realidade agreste de uma arruinada Whashington D.C., que agora assume o natural título de Capitol Wasteland.

Destaque para o objeto de adoração em uma das principais agremiações humanas do inóspito cenário do jogo: uma bomba nuclear não detonada, que reúne à sua volta todo um séquito, liderado por um fervoroso e alucinado pregador que acredita que a teoria da fissão atômica traz consigo uma mensagem de redenção e evolução. Então tá.

Radiação em toda parte, mutações as mais variadas e tribos de todas as raças dividem um cenário tipicamente pós-holocausto nuclear. Aqui não existem heróis ou vilões, mas sim seres humanos reduzidos a mais pura bestialidade de uma luta pela sobrevivência. Meus parabéns, você é mais um deles. Portanto, olhos na nuca!


Adaptação do romance cult de Dmitry Glukhovsky (Metro 2033), Metro 2033: The Last Refuge acompanha a saga dos sobreviventes de uma guerra nuclear que começou no ano de 2012. Os destroços tomam conta da paisagem ao redor do mundo e a mãe Rússia tenta se erguer das cinzas. O último reduto para a sobrevivência humana são os sistemas de metrô abandonados.


No subterrâneo, verdadeiras “cidades” com costumes, religiões e leis próprias são mantidas com punho de ferro. Conhecimento e respeito serão fatores essenciais para conseguir algum êxito no jogo. Sobretudo porque esses baluartes da resistência humana se encontram fortemente ameaçados por uma hegemonia mutante que controla a superfície do planeta.


Certamente que o bom e velho Gears of War e a sua memorável sequência, Gears of War 2, não poderiam ser deixados de lado. Marco entre os cenários pós-apocalípticos nos videogames, Gears of War colocou o último bastião da sobrevivência humana em um planeta distante conhecido como Sera.

Gears of War 2: o possível ocaso da Humanidade nas garras dos Locust Em um dia fatídico conhecido como Emergency Day, abominações gigantescas irromperam subitamente a superfície de Sera, iniciando uma guerra sangrenta entre os seres humanos e a denominada Horda Locust.

Em meio a esse cenário dos menos convidativos, você assume o controle de Marcus Fenix, filho do cientista Adam Fenix, notório por ter combatido com afinco as temíveis criaturas em várias oportunidades — angariando, inclusive, uma vasta coleção de condecorações. Todavia, o que complementaria melhor um cenário pós-apocalíptico do que um clássico anti-herói? O que dizer então se ele tiver cometido atos subversivos para salvar o próprio pai (que acabou morto pelos Locust)?

Enfim, você será então retirado do presídio para entrar para uma temível força-tarefa, unindo-se assim ao Esquadrão Delta. A missão? Destruir a ameaça dos Locust e reestabelecer a paz no planeta através de algumas missões verdadeiramente suicidas através de um devastado cenário.


Bem, cenários pós-apocalípticos pressupões que a humanidade tenha sido afrontada por uma imensa catástrofe... mas, obviamente, não há exigências quanto à natureza desse desastre. Que tal, então, se a raça humana não fosse exatamente destruída, mas sim transformada em uma imensa massa de zumbis comedores de cérebro?

Left 4 Dead leva você diretamente para um daqueles filmes de terror “trash” que viraram moda nos anos 70 e 80, principalmente. A história é de fato bastante simples: junte-se a outros “sortudos” sobreviventes de uma infestação de zumbis para que todos consigam escapar. Exatamente isso: escapar. Qualquer espírito ativista que pretenda expurgar a cidade de todos os zumbis deve ser rapidamente frustrado (sobretudo nos níveis mais difíceis).



Assim sendo, relaxe na cadeira e escolha um dos quatro personagens estereotipados do jogo para abrir passagem em meio a um verdadeiro oceano de comedores de cérebro. Você nunca gostou dos heróis? Sem problemas. Left 4 Dead traz ainda um modo versus no qual é possível encarnar um asqueroso zumbi, a fim de impedir que os sobreviventes cheguem ao local seguro.

Enfim, cenários arruinados onde a única leia é a da sobrevivência. Um prato cheio para quem tiver certa predileção para as caricatas visões apocalípticas dos anos 70 e 80.


Resumidamente, Rage seria algo como uma mistura entre jogo de tiro e corrida ambientada em um universo pós-apocalíptico em que mutantes espreitam por todo o lado — mais uma ressonância direta das possíveis abominações geradas pelo bicho-papão nuclear.

É impossível deixar de fazer a comparação. Qualquer um que tenha assistido à trilogia cataclísmica com Mel Gibson deve fazer uma ligação imediata assim que as primeiras imagens do trailer oficial aparecerem. O ambiente, a indumentária, os carros, as armas e até mesmo as caras carrancudas: tudo evoca diretamente o filme.

Rage: guerra e corridas em um estilo altamente Mad Max

Porém, o que ameaçou seriamente a continuidade da humanidade em Rage foi algo bem diverso. Ao perceberem que um asteróide estava em rota de colisão com a Terra, os principais líderes do mundo resolveram assegurar a continuidade da espécie — além das suas próprias peles, é claro — mediante a construção de um abrigo subterrâneo. Assim, quando a poeira baixasse, as reminiscências da humanidade voltariam à superfície para repovoar o planeta.

Entretanto, algo parece não ter saído bem de acordo com os planos. A humanidade voltou sim à superfície. Porém, não estava exatamente sozinha. Hordas de mutantes, seres terrivelmente modificados pela explosão espreitavam por todo o planeta determinados a manter o controle das coisas. Acrescente a isso ainda o fato de a própria Humanidade estar dividida em facções distintas (com pontos de vista às vezes diametralmente opostos), e eis que surge mais um belo exemplo de caos pós-apocalíptico.

Enfim, abominações, guerras, políticas emergenciais desiguais (e a conseqüente reação dos excluídos) e uma desesperada batalha por sobrevivência enquanto se tenta conservar uma mítica visão do que um dia foi a Humanidade. Zumbis, monstros gigantes, radiação ou um vírus mortal... e a potencial destruição da humanidade que parece nunca sair de moda. Soa semelhante a algo que você tenha jogado?

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